Perturbação

E tu que nada fazes,
Se não sufocar-me inteira,
Que te rodeias de rodeios
E tiras parte de mim de qualquer maneira.

Porque não vais logo direto ao assunto,
E me esclareces esta confusão,
Que contigo ainda mais confusa fica
Sem qualquer tipo de explicação.

Mas assim a nenhum lado vou chegar,
E podes crer que custa tentar e tentar,
Tentar que me percebas e me deixes de uma vez, 
Que me libertes e faças o que nunca ninguém fez.

Vives na minha mente, 
Naquele que é o mais profundo, 
E não me livro de ti,
Nem por um único segundo.

E o medo de isto estar entranhado em mim 
Escorre por cada veia, 
E complementa-se com um olhar no espelho 
Em que de toda uma alma só consigo ver meia.

Não queres sair de mim,
Mas vais ficando com várias partes,
E eu cada vez mais vazia
Só desejo que de mim te fartes.

Mas és estranhamente algo
Que de mim ainda não quis desistir,
E contigo continuo
Até ao dia em que eu também terei de partir.

Fantasma que me assombra,
Se é que te posso chamar assim,
Nunca vou conseguir perceber
O que tu conseguiste ver em mim.

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