E tu que nada fazes, Se não sufocar-me inteira, Que te rodeias de rodeios E tiras parte de mim de qualquer maneira. Porque não vais logo direto ao assunto, E me esclareces esta confusão, Que contigo ainda mais confusa fica Sem qualquer tipo de explicação. Mas assim a nenhum lado vou chegar, E podes crer que custa tentar e tentar, Tentar que me percebas e me deixes de uma vez, Que me libertes e faças o que nunca ninguém fez. Vives na minha mente, Naquele que é o mais profundo, E não me livro de ti, Nem por um único segundo. E o medo de isto estar entranhado em mim Escorre por cada veia, E complementa-se com um olhar no espelho Em que de toda uma alma só consigo ver meia. Não queres sair de mim, Mas vais ficando com várias partes, E eu cada vez mais vazia Só desejo que de mim te fartes. Mas és estranhamente algo Que de mim ainda não quis desistir, E contigo continuo Até ao dia em que eu também terei de partir. Fantasma que me assombra, Se é que te posso chamar assim, Nunca vou conseguir perceber O que tu conseguiste ver em mim.